quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Comentário do Evangelho
Marcos 4,1-20
O semeador saiu a semear.


(Cfr. Ioannis Pauli PP. II Epistula Apostolica ad iuvenes Internationali vertente Anno Iuventuti dicato, 3, die 31 mar. 1985: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, VIII, 1 (1985) 803ss). - Fonte: Vatican.va

            Cristo compara sua palavra viva, o ideal divino que oferece aos homens, a uma semente, que Ele próprio, passando junto de cada um, vai semeando nos corações (Cfr. Mt 13, 4 ss). Esta semente tem poder para transformar o campo da vida, o campo do mundo, numa colheita exuberante de frutos. Nesta semente se contém o germe de todas as realizações verdadeiras, de todos os sonhos de grandeza, de bondade e de bem.

         Mas a semente da palavra de Cristo crescerá, até seu pleno desenvolvimento, se, como diz Jesus, encontrar “boa terra”, isto é, o solo acolhedor de um coração generoso e bom (Cfr. Lc 8, 15).

             A semente da palavra de Deus tem certamente uma ilimitada potencialidade de frutos. Mas pode ser rejeitada, pode ser abafada, pode murchar.
 Que poderia fazer fracassar em vocês grandes ideais de Cristo? Jesus nos dá a resposta, luminosa e clara, como são todos os seus ensinamentos.

             Em primeiro lugar, poderia frustrar esses ideais o desinteresse, que procede da ignorância, da indiferença ou do ceticismo, e relega a palavra de Cristo à margem da vida, “à beira do caminho” (cfr. Mt 13, 19). Em face de um mundo que, em muitos ambientes, parece tornar-se opaco à luz divina e se empenha em marginalizar a Deus, em face de um mundo que, às vezes, parece querer expulsar Deus, como um estranho, da vida individual, familiar, e coletiva, vocês saberão reagir e dizer, ardentemente, como Pedro a Jesus: “Tu tens palavras de vida eterna, e nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus” (Jo 6, 68). Vocês deixarão que a fé e o amor de Cristo lancem raízes profundas em seus corações.

Em segundo lugar, a semente da palavra de Deus pode ser abafada pela religiosidade superficial, sentimental e inconstante. A parábola fala do coração semelhante a um solo pedregoso, coberto apenas por uma leve camada de terra.   Recebe a semente com alegria, mas não tem profundidade, “é inconstante”. E, quando se ergue o sol causticante das dificuldades, a semente perece queimada (Mt 13, 20-21).


         Por último, Cristo fala de espinhos que sufocam a semente (Cfr. Mt 13, 7). Quais são esses espinhos? “Os cuidados do mundo, diz Jesus, e a sedução das riquezas” (Cfr. Mt 13, 22). Nosso Senhor alerta para o desfecho estéril daquelas vidas que colocam sua realização na satisfação mesquinha de desfrutar, de “ter”, e não no esforço de “ser”.

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