sábado, 8 de fevereiro de 2014

FRANCISCO DESTACOU QUE NÃO SE PODE TIRAR PROVEITO DA CONDIÇÃO DE CRISTÃOS, MAS SIM SEGUIR CAMINHO DE HUMILDADE TRAÇADO POR CRISTO.


Anunciar o Evangelho com humildade, pede Papa em homilia Anunciar o Evangelho sem tirar proveito da condição de cristãos. Foi o que afirmou o Papa Francisco em Missa nesta sexta-feira, 7, na Casa Santa Marta. O Santo Padre desenvolveu sua homilia a partir do martírio de João Batista e destacou que, como ele, o verdadeiro discípulo de Cristo segue o caminho da humildade sem apropriar-se da profecia.

A trágica morte de João Batista é relatada no Evangelho do dia. Francisco recordou sua vida dedicada ao anúncio do Evangelho, seu empenho para a conversão de todos, sem apropriar-se de sua autoridade moral. João foi um homem de verdade, que imitou Cristo na humildade, rebaixando-se até a morte, disse Francisco.

Assim como Cristo, João teve uma morte humilhante, momentos de angústia no cárcere, experimentando a escuridão da alma. Mas Jesus respondeu a Ele, assim como o Pai respondeu a Jesus, confortando-o.

“Anunciador de Jesus Cristo, João não se apropria da profecia, ele é o ícone de um discípulo”, disse o Papa. A fonte deste comportamento de João Batista está no encontro de Maria e sua prima Isabel, quando João pulou de alegria no ventre de sua mãe. Francisco explicou que aquele encontro encheu de alegria o coração de João e o transformou em discípulo.

Segundo o Papa, fará bem aos homens de hoje questionar-se sobre seus discipulados: se é um anúncio de Jesus ou se aproveita-se da condição de cristãos como se fosse um privilégio.
“Seguimos no caminho de Jesus Cristo? O caminho da humilhação, da humildade, do rebaixamento para o serviço? E se nós chegamos à conclusão de que não estamos firmes nisto, perguntemo-nos: ‘Mas quando foi o meu encontro com Jesus Cristo, aquele encontro que me enche de alegria?’ E voltar ao encontro! Reencontrar o Senhor e seguir adiante por este caminho tão belo, no qual Ele deve crescer em nós e nós sermos diminuídos”.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Milhares se manifestam na França a favor da família tradicional
500 mil pessoas contrárias ao casamento homossexual, à lei ABCD e à lei de reprodução assistida
Por Sergio Mora
ROMA, 03 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) - Milhares de pessoas se manifestaram neste domingo, na França, contra uma série de medidas contrárias à família adotadas pelo governo socialista do presidente François Hollande. Entre elas, a aprovação da lei que autoriza o casamento e a possibilidade de adoção de filhos por parte de casais homossexuais. Em número que oscila entre 80 mil, segundo a polícia, e 500 mil, segundo os organizadores, os franceses marcharam com o lema “Família, educação, solidariedade, dignidade”.

Os manifestantes foram reunidos pelo movimento “La manif pour tous” (A manifestação para todos), que, no ano passado, levou às ruas aproximadamente um milhão de pessoas para protestar contra os projetos dessas mesma leis, hoje agrupados na “lei Taubira”.

Entre os manifestantes há desde setores conservadores católicos até muçulmanos, judeus, associações laicas e até mesmo associações homossexuais que não concordam nem com o casamento nem com as adoções por parte de homossexuais.

Em grande número, os pais e mães franceses se uniram à marcha. Nos últimos dias, eles não levaram os filhos à escola porque decidiram boicotar uma matéria experimental sobre a “teoria de gênero”, denominada “ABCD da Igualdade” e imposta pelo Ministério da Educação do país.

O boicote às escolas teve grande adesão. Segundo a mídia local, alguns colégios viram um terço dos alunos ficarem em casa e outros tiveram até 50% dos alunos ausentes das aulas.

O ministro francês da Educação, Vincent Peillon, se viu obrigado na última terça-feira a declarar que “as escolas francesas não ensinam a homossexualidade às crianças”.

Os manifestantes lamentam também a aprovação do aborto pela Câmara de Deputados e destacam o perigo de que o próximo passo seja a reprodução assistida para lésbicas e o uso de “barrigas de aluguel”, projetos que devem ser propostos ao parlamento em abril.

Esta marcha acontece uma semana depois dos protestos contra o governo de Hollande que deixaram 19 policiais feridos e mais de 200 cidadãos presos. O ministro do Interior, Manuel Valls, declarou: “Não toleraremos nenhum excesso violento, nenhum ataque contra a polícia”.

“Não houve violência nenhuma”, disseram os porta-vozes de “La Manif pour Tous”, reiterando que não se trata de uma questão política, mas de princípios universais.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Comentário do Evangelho


A luz cumpre a sua função quando ela ilumina

É em relação à parábola precedente que o nosso texto deve ser compreendido. “Tua Palavra é lâmpada para os meus passos, luz para o meu caminho”, diz o salmista (Sl 119[118],105). A Palavra de Deus é como a lâmpada. 

A luz cumpre a sua função quando ela ilumina, quando faz ver na escuridão. Mas o Novo Testamento diz que a pessoa também pode ser como a luz. É o caso de João Batista (cf. Jo 5,35). Jesus é a “luz dos homens” (cf. Jo 1,15ss; 8,12); a comunidade cristã é luz: “vós sois a luz do mundo…” (Mt 5,14-16). Ora, a luz simboliza a pessoa, iluminada pela fé, e a sua doutrina, a sua palavra. É de si mesmo que Jesus fala quando diz que uma lâmpada não pode ficar escondida. 

O que ele é se manifesta em seus gestos e palavras, e em tudo o que ele faz, se manifesta o Reino de Deus. A chamada de atenção dos vv. 24 e 25 é um apelo à compreensão profunda da palavra que o Senhor anuncia para não se fazer um juízo equivocado, nem se permanecer no erro. O que é dado por Deus através do ensinamento de Jesus é para produzir bons frutos.

Carlos Alberto Contieri, sj

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Comentário do Evangelho
Marcos 4,1-20
O semeador saiu a semear.


(Cfr. Ioannis Pauli PP. II Epistula Apostolica ad iuvenes Internationali vertente Anno Iuventuti dicato, 3, die 31 mar. 1985: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, VIII, 1 (1985) 803ss). - Fonte: Vatican.va

            Cristo compara sua palavra viva, o ideal divino que oferece aos homens, a uma semente, que Ele próprio, passando junto de cada um, vai semeando nos corações (Cfr. Mt 13, 4 ss). Esta semente tem poder para transformar o campo da vida, o campo do mundo, numa colheita exuberante de frutos. Nesta semente se contém o germe de todas as realizações verdadeiras, de todos os sonhos de grandeza, de bondade e de bem.

         Mas a semente da palavra de Cristo crescerá, até seu pleno desenvolvimento, se, como diz Jesus, encontrar “boa terra”, isto é, o solo acolhedor de um coração generoso e bom (Cfr. Lc 8, 15).

             A semente da palavra de Deus tem certamente uma ilimitada potencialidade de frutos. Mas pode ser rejeitada, pode ser abafada, pode murchar.
 Que poderia fazer fracassar em vocês grandes ideais de Cristo? Jesus nos dá a resposta, luminosa e clara, como são todos os seus ensinamentos.

             Em primeiro lugar, poderia frustrar esses ideais o desinteresse, que procede da ignorância, da indiferença ou do ceticismo, e relega a palavra de Cristo à margem da vida, “à beira do caminho” (cfr. Mt 13, 19). Em face de um mundo que, em muitos ambientes, parece tornar-se opaco à luz divina e se empenha em marginalizar a Deus, em face de um mundo que, às vezes, parece querer expulsar Deus, como um estranho, da vida individual, familiar, e coletiva, vocês saberão reagir e dizer, ardentemente, como Pedro a Jesus: “Tu tens palavras de vida eterna, e nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus” (Jo 6, 68). Vocês deixarão que a fé e o amor de Cristo lancem raízes profundas em seus corações.

Em segundo lugar, a semente da palavra de Deus pode ser abafada pela religiosidade superficial, sentimental e inconstante. A parábola fala do coração semelhante a um solo pedregoso, coberto apenas por uma leve camada de terra.   Recebe a semente com alegria, mas não tem profundidade, “é inconstante”. E, quando se ergue o sol causticante das dificuldades, a semente perece queimada (Mt 13, 20-21).


         Por último, Cristo fala de espinhos que sufocam a semente (Cfr. Mt 13, 7). Quais são esses espinhos? “Os cuidados do mundo, diz Jesus, e a sedução das riquezas” (Cfr. Mt 13, 22). Nosso Senhor alerta para o desfecho estéril daquelas vidas que colocam sua realização na satisfação mesquinha de desfrutar, de “ter”, e não no esforço de “ser”.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Santa Catarina de Bolonha: corpo incorrupto no altar

Ela morreu há mais de 5 séculos, entretanto seu cadáver conserva-se absolutamente intacto até hoje numa igreja em Bolonha, na Itália.

Durante a II Guerra Mundial, por causa do perigo de bombardeios, o corpo da santa foi transportado para um porão da igreja; e ali, devido à umidade, a cor dele mudou, adquiriu tonalidade verde-azeitona. Entretanto, a carnatura está perfeita.

A fisionomia da santa é distendida. Apesar de estar com olhos fechados, a fisionomia tem muita expressão. O mais expressivo manifesta-se nos lábios: longos, finos e cerrados, externando um meio sorriso que é, ao mesmo tempo, de afabilidade e acolhida.

Um sorriso de quem, com muita suavidade, mas muito de cima e com enorme transcendência, sorri com desdém para as coisas desta vida. Como quem diz:

"Olhe, tudo isso não é nada, tudo passa, não tem importância.

"As coisas terrenas passam, só a eternidade fica.

"Eu passei por tudo, sofri todas as dores, tive todas as provações.

"Agora sorrio para tudo isso.

"Porque aquilo que foram mares encapelados, precipícios temíveis, montanhas inescaláveis, tudo isso ficou para trás.

"Percebo hoje que tudo que passou foi nada. A vida não é nada, só a eternidade é séria."

Nela se vê ao mesmo tempo a bondade, mas também lucidez, ordem, estabilidade e decisão extraordinária. Eis a santa que vi em carne e osso!

Hoje se fala tanto de experiência, e esta foi para mim uma experiência raríssima. Só não compreendo por que tantas pessoas não se dispõem a ver esta santa em Bolonha.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Homilia do papa Francisco: os cristãos devem construir pontes, não muros
Nesta sexta-feira, o Santo Padre convidou a dialogar com humildade e sem ressentimentos

ROMA, 24 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) - Não é fácil construir o diálogo com os outros, especialmente se o ressentimento nos separa deles. Mas o cristão procura sempre o caminho da escuta e da reconciliação, com humildade, porque é isso o que Jesus ensinou. Este foi o tema que o Santo Padre abordou na homilia desta manhã na Casa Santa Marta.

“Eu quebro, mas não me dobro”, afirma uma certa máxima popular. 
“Eu me dobro para não quebrar”, sugere a sabedoria cristã. 

Dois modos de entender a vida: o primeiro, duro, facilmente destinado a construir muros de incomunicação entre as pessoas até degenerar em ódio; o segundo, voltado a criar pontes de compreensão, mesmo depois de brigas. Mas, adverte o papa, desde que se pratique a humildade. No centro da reflexão do Santo Padre, estava o encontro entre o rei Saul e Davi.  Davi tem a chance de matar Saul, mas escolhe "outro caminho: o caminho da aproximação, de esclarecer a situação, de explicar. O caminho do diálogo para fazer a paz".

"Para dialogar, é necessária a mansidão. Sem gritar. E é necessário também pensar que a outra pessoa tem algo a mais do que eu, e Davi pensava: 'Ele é o ungido do Senhor, é mais importante do que eu'. A humildade, a mansidão... Para dialogar, é necessário fazer o que pedimos hoje na oração, no início da missa: fazer-se tudo para todos. Humildade, mansidão, fazer-se tudo para todos. Mas todos sabem que para fazer isso é necessário aguentar muito. E temos que fazer isso, porque a paz é feita assim: com a humildade, com a humilhação, procurando sempre ver no outro a imagem de Deus".

O Santo Padre reconhece que "dialogar é difícil". Mas deixar crescer no coração o ressentimento é pior: ficaríamos "isolados no caldo amargo do nosso ressentimento". Tomando Davi como exemplo, porém, o cristão vence o ódio com um ato de humildade.

“Humilhar-se, construir uma ponte, sempre. Sempre. Isso é ser cristão. Não é fácil. Não é fácil. Jesus fez isso: Ele se humilhou até o final, nos mostrou o caminho. E é necessário que não passe muito tempo: quanto antes, depois da tempestade, se aproximar para dialogar, porque o tempo faz o muro crescer, assim como faz crescer também a erva daninha que impede o crescimento da semente. E, quando os muros crescem, é muito difícil a reconciliação: é muito difícil!".

Francisco reafirmou que não é um enorme problema se "de vez em quando os pratos voam", "na família, nas comunidades, nos bairros". O importante é "buscar a paz o antes possível", com uma palavra, com um gesto, com uma ponte em vez de um muro: porque "existe a possibilidade, também no nosso coração, de se transformar numa Berlim com um Muro entre nós e os outros".

Para terminar, o papa afirmou: "Eu tenho medo desses muros, que crescem todo dia e favorecem os ressentimentos. E o ódio. Pensemos naquele jovem Davi: ele podia se vingar perfeitamente, eliminar o rei, mas escolheu o caminho do diálogo, com a humildade, a mansidão, a doçura. Hoje, podemos pedir a São Francisco de Sales, doutor da doçura, a graça de todos nós fazermos pontes com os outros, nunca muros".