Comentário do Evangelho
Marcos 4,1-20
O semeador saiu a semear.
(Cfr. Ioannis Pauli PP. II Epistula
Apostolica ad iuvenes Internationali vertente Anno Iuventuti dicato, 3, die
31 mar. 1985: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, VIII, 1 (1985) 803ss).
- Fonte: Vatican.va
Cristo compara sua palavra viva, o ideal divino que oferece
aos homens, a uma semente, que Ele próprio, passando junto de cada um, vai semeando
nos corações (Cfr. Mt 13, 4 ss). Esta semente tem poder para transformar o
campo da vida, o campo do mundo, numa colheita exuberante de frutos. Nesta
semente se contém o germe de todas as realizações verdadeiras, de todos os
sonhos de grandeza, de bondade e de bem.
Mas
a semente da palavra de Cristo crescerá, até seu pleno desenvolvimento, se,
como diz Jesus, encontrar “boa terra”, isto é, o solo acolhedor de um coração
generoso e bom (Cfr. Lc 8, 15).
A semente da palavra de Deus tem certamente uma ilimitada
potencialidade de frutos. Mas pode ser rejeitada, pode ser abafada, pode
murchar.
Que poderia fazer fracassar em vocês grandes ideais de
Cristo? Jesus nos dá a resposta, luminosa e clara, como são todos os seus
ensinamentos.
Em primeiro lugar, poderia frustrar esses ideais o desinteresse,
que procede da ignorância, da indiferença ou do ceticismo, e relega a palavra
de Cristo à margem da vida, “à beira do caminho” (cfr. Mt 13, 19). Em
face de um mundo que, em muitos ambientes, parece tornar-se opaco à luz divina
e se empenha em marginalizar a Deus, em face de um mundo que, às vezes, parece
querer expulsar Deus, como um estranho, da vida individual, familiar, e
coletiva, vocês saberão reagir e dizer, ardentemente, como Pedro a Jesus: “Tu tens
palavras de vida eterna, e nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus” (Jo
6, 68). Vocês deixarão que a fé e o amor de Cristo lancem raízes profundas em
seus corações.
Em
segundo lugar, a semente da palavra de Deus pode ser abafada pela religiosidade
superficial, sentimental e inconstante. A parábola fala do coração semelhante a
um solo pedregoso, coberto apenas por uma leve camada de terra. Recebe a semente com alegria, mas não tem
profundidade, “é inconstante”. E, quando se ergue o sol causticante das
dificuldades, a semente perece queimada (Mt 13, 20-21).
Por
último, Cristo fala de espinhos que sufocam a semente (Cfr. Mt 13, 7).
Quais são esses espinhos? “Os cuidados do mundo, diz Jesus, e a sedução das
riquezas” (Cfr. Mt 13, 22). Nosso Senhor alerta para o desfecho estéril
daquelas vidas que colocam sua realização na satisfação mesquinha de desfrutar,
de “ter”, e não no esforço de “ser”.