segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Realeza da Cruz

Sobre a trave vertical, Pôncio Pilatos mandava inscrever na cruz do Senhor: “Jesus de Nazaré, Rei dos judeus”. Para o governador romano, este seria o motivo da condenação do Nazareno, justificação assim uma sentença injusta, que agradava ao mesmo tempo os fariseus e os romanos. No entanto, ele mesmo, lavando as mãos, poucas horas antes, havia declarado não encontrar motivo para a condenação de Jesus a quem perguntara: ”Tu é o rei dos judeus?” Ao ouvir a resposta, Pilatos retrucara com outra pergunta: “Então, tu és rei?” É bem verdade que os sumos sacerdotes haviam protestado contra tal inscrição, que se tornaria celebre e presente em todos os crucifixos ostentados desde então. Pilatos não volta atrás: “Aquilo que escrevi, está escrito”.

Diante da cruz, não faltaram os que tentaram ridicularizar, transformando a inscrição em motivo de chacota: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo e desce da cruz!”

O Senhor Jesus, que afirmara que o seu reino não é desse mundo, iria travar, como soberano, a solene e definitiva batalha contra aquela que é a mais terrível inimiga do homem. Ele não foge da luta: mergulha de frente transformando a cruz, de símbolo de morte, em sinal de vitória; duelam o forte e o mais forte, é a vida que enfrenta e vence a morte.

Pela boca do santo centurião Longinus, Pilatos terá tomado conhecimento de quem era aquele rei suspenso na cruz: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!” Mas será o bom ladrão que roubará a cena. Condenado com Ele, consciente de seus pecados, sussurra como numa prece ao crucificado inocente: Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”.

Nós cremos que Jesus retornará como Rei da Glória, e o seu Reino não terá fim. No entanto, desde aquele momento esse Reino já se encontra no meio de nós. A exemplo do bom ladrão, todos nós, que carregamos nossas cruzes, esperamos um dia ouvir no fundo do coração as palavras do Rei, que tem a cruz como trono: Em verdade vos digo, que hoje mesmo estarás Comigo no meu Reino.


Texto do folheto da Missa de Cristo Rei em 2013

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